quinta-feira, 1 de outubro de 2015

PRIMAVERA TEATRAL 2015


Chico Carvalho (Ariel) em A Tempestade

        Apesar de todos os percalços, São Paulo oferece uma rica temporada teatral neste início de primavera indo desde espetáculos de grupos alternativos até grandes produções com astros globais. Neste segundo caso inserem-se as surpreendentes interpretações de Tarcisio Meira em O Camareiro (direção de Ulysses Cruz) e de Chistiane Torloni em Master Class (direção de José Possi Neto); são produções bem sucedidas artística e comercialmente a partir de textos convencionais já considerados clássicos do teatro de língua inglesa. Gabriel Villela perfila-se com esses diretores de renome nos cartazes da cidade oferecendo aquele que talvez seja o espetáculo mais bonito do ano: A Tempestade de Shakespeare ambientada numa paisagem repleta de objetos e canções mineiras que remetem a outro trabalho antológico do encenador (Romeu e Julieta de 2001 com o Grupo Galpão). Chico Carvalho tem atuação não menos que excepcional como o diáfano e etéreo Ariel (ao que eu saiba nunca houve intérprete que incorporasse tão bem fisicamente o “espírito do ar” criado pelo bardo inglês). Menos famoso que seus colegas acima citados, o encenador Hugo Coelho faz divertida e eficiente montagem de Morte Acidental de Um Anarquista(*) com interpretação irreverente de Dan Stulbach.

        Máquina Tchekov é um instigante texto de Matéi Visniec que se junta a Ronaldo Ciambroni e a Mário Bortolotto como um dos autores mais montados em São Paulo. Ironia à parte, o dramaturgo romeno em boa hora tem várias de suas peças montadas por aqui. Esta peça trata do que aconteceu com as personagens de várias peças do autor russo em função do destino que ele lhes reservou; descontentes com seus desfechos elas vêm tirar satisfação com seu criador em seu leito de morte. A tradução cênica de Clara Carvalho e Denise Weimberg é límpida e acerta esteticamente ao colocar essas personagens como espíritos vagantes pelo ambiente.

        Ao Pé do Ouvido é uma nova experiência do Núcleo de Teatro Experimental dirigido por Zé Henrique de Paula: atores ouvem com fone de ouvido relatos de migrantes nordestinos e tentam reproduzir seus sentimentos por meio de voz e gesto. Tem a marca de qualidade do talentoso grupo da Rua Barra Funda.

        Tanto Faz é uma gostosa incursão de Mário Bortolotto no universo pop de Reinaldo Moraes. 23 atores dão conta das inúmeras personagens presentes no livro com destaque para Eldo Mendes como o protagonista Ricardo e para o próprio Bortolotto como o divertido amigo Chico.

        Bonecas Quebradas (*) foi a grande surpresa do mês de setembro e motivo de matéria deste blog.

      Zabobrim, O Rei Vagabundo. Mesclando elementos da Commedia Dell’Arte com a forma do circo teatro a dupla Esio Magalhães e Tiche Vianna criou este divertido espetáculo que conta a história de um pobre diabo que por obra de uma “genia” transforma-se em rei, mas para não fugir do seu destino de palhaço, é um rei cheio de percalços e trombadas.

        Agreste. Revisto depois de onze anos o espetáculo conserva a beleza, a surpresa e a frescura de quando estreou. Texto, direção e interpretações perfeitos. Montagem clássica do teatro brasileiro.

       Espetáculo criado por elementos da comunidade de Heliópolis, A Inocência do Que Eu (Não) Sei (*) é uma séria reflexão sobre os deficientes sistemas educacionais da “Pátria Educadora”.

        Encerrando a resenha Incêndios (*), o pungente espetáculo do grupo mexicano Tapioca Inn com a grande atriz Karina Gidi, que cumpriu curta temporada de duas semanas no Sesc Pompeia. QUEM VIU, VIU!!

(*) Vide matérias sobre essas peças neste blog consultando o marcador pelo título das mesmas.

30/09/2015

       
       


Um comentário:

  1. Este seu blog é uma boa referência. Eu, particularmente, adoro os textos do Matéi Visniec e a montagem de Máquina Theckov deixa muitas questões em nossos espíritos.

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